sexta-feira, 28 de junho de 2013



DIANTE DA FOGUEIRA

Tento esgueirar-me da sala.
Esta música.
Ó não!
Esta música me
enlouquece.
Ela tem o poder de
esmagar-me,
triturar-me,
espremer os meus miolos.
Ela me marcou demais
e não posso ouvi-la.
Quero fugir
desta música e
ela me persegue.
Aonde eu vou,
ela chega.
Cobrando-me um culto
que me recuso
a fazer-lhe.
Não, não a quero ouvir.
Não quero mais
mexer com
as fibras de
meu coração.
Eu me recuso a
ouvi-la.
A deixá-la adentrar-me
descontrolando novamente,
o que levei anos para
conseguir equilibrar
dentro de mim.
Não, não!
Não posso ouvi-la!
Tudo começará de novo.
Dançarei diante da fogueira
com meu vestido vermelho,
descalça na areia.
Envolta em véus,
e ficarei tonta.
À luz das labaredas,
tirarei o vestido.
Seminua deixarei você
tomar-me em
seus braços.
Sei que irá de novo
incendiar
meu corpo.
Irá jogar-me na areia.
Então lhe entregarei
todo meu amor.
Deixarei que me possua
docilmente.
Brutalmente você
irá me querer de novo.
Depois se afastará de mim.
Diante das brasas ficarei
em prantos.
Irei sofrer tudo outra vez
e sairei a buscar aflita
os seus passos,
que se afastaram
no horizonte.
Assim viverei o resto
da minha vida
procurando-o.

sonia delsin 

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